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Comissão aprova financiamento público para campanhas


Bancada tucana prometeu apresentar emenda para defender o voto distrital misto


José Cruz/ABR
Senado
Senadores Humberto Costa e Francisco Dornelles durante reunião da Comissão Especial da Reforma
A Comissão da Reforma Política do Senado aprovou na tarde desta terça-feira (5) o financiamento público exclusivo para as campanhas eleitorais, conforme tese defendida pelo PT e pelo PCdoB.

A manutenção do sistema atual que conjuga financiamento público e privado foi derrotada por 12 votos a cinco. Foi a segunda vitória consecutiva dos petistas na comissão.

"Vocês nunca viram um presidente de comissão sair tão derrotado das votações", brincou o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), no final da reunião.

Dornelles, os tucanos Aécio Neves (MG) e Aloysio Nunes (SP), além de Roberto Requião (PMDB-PR) e Fernando Collor (PTB-AL) votaram pela manutenção do sistema atual, que conjuga financiamento público e privado.

PT e PCdoB articulam a aprovação do sistema de voto em lista partidária fechada, combinado com o financiamento público das campanhas.

Na semana passada, o colegiado aprovou, por nove votos contra sete, a adoção do voto proporcional com lista fechada nas próximas eleições.

A bancada tucana prometeu apresentar emenda para defender o voto distrital misto, com lista aberta (para os representantes dos distritos) e fechada (elaborada pelos partidos), quando a reforma chegar ao plenário do Senado.

Diante da nova derrota, Aécio recomendou prudência ante o "ritmo vigoroso" dos trabalhos da comissão, que conclui as votações no próximo dia 8.

"Não podemos gerar expectativa", disse o tucano, já que o relatório final da comissão ainda será avaliado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pelo plenário do Senado.

Segundo o mineiro, a vantagem da comissão é construir um mínimo de consenso sobre os temas da reforma.

Modelo

O líder do PT, senador Humberto Costa (PE), uma das principais vozes favoráveis ao financiamento público, afirmou que é preciso combater o "senso comum" de que esse modelo "vai tirar dinheiro da educação e da saúde para custear a campanha eleitoral".

Ele lembrou que, atualmente, as campanhas são parcialmente financiadas com recursos públicos, que chegam às legendas pelo fundo partidário.

Em 2011, o fundo deve receber R$ 150 milhões dos cofres públicos. A propaganda eleitoral no rádio e na televisão, custeada com isenções fiscais, também é financiada com recursos públicos, acrescentou.

Para Costa, o financiamento privado abre caminho para a corrupção.

"Os financiadores são empreiteiras, prestadores de serviços, bancos, que de alguma forma, guardam relação de interesse com o setor público", disse Costa.

"Quem financia é porque tem interesse em se aproximar de quem foi eleito, quando não é para praticar atos de corrupção.

Se é para banir a corrupção, o financiamento público sai mais barato", completou.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) ressaltou que o financiamento público depende da aprovação do voto em lista fechada, elaborada pelo partido.

Mas Costa ressaltou que se no final, o Congresso concluir pelo voto distrital misto, defendido pelo PSDB, este modelo comporta o financiamento público.

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