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Hostilizados em protesto, black blocs ganham grupos inimigos
SABINE RIGHETTI
ARETHA YARAK
DE SÃO PAULO
    
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Em evidência desde os protestos de junho passado, o movimento black bloc –grupo punk, pró-anarquia, com tendência política à esquerda– ganhou inimigos.
Na manifestação do último sábado, contra a Copa do Mundo, integrantes do black bloc foram hostilizados em uma festa pública de música black no centro da cidade.
Um vídeo publicado pela "TV Estadão" mostra um membro do grupo sendo espancado por várias pessoas que estavam na festa.
O episódio durou alguns minutos. Terminou quando um segurança chegou ao local jogando água de um extintor nos agressores.
O apresentador da festa, William Santiago, que é presidente da Associação de Promotores de Eventos de São Paulo, aparece no vídeo defendendo a agressão.
"Demoramos muito para ter esse espaço da black music. Se esses caras entrarem aqui, vamos dar porradas."
À Folha, Santiago disse que "foi um momento de emoção". "Eu vi um bando de gente entrando e empurrando todo mundo, jogando caixa de ambulante para cima."
Para Rafael Alcadini, pesquisador da FGV, o fato foi uma causalidade. "Os black blocs têm ideologia e lutam contra símbolos e instituições, mas não têm o
objetivo de agredir pessoas", afirma.

A Folha apurou que um grupo de skin heads queria agredi-los no protesto do último sábado, mas desistiram.
Engrossa essa oposição os white blocs, que surgem como resposta ideológica e defendem militarização. "São de extrema direta", explica Esther Solano, da Unifesp. A página deles no Facebook possui mais de 3.500 "likes".

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